segunda-feira, 13 de novembro de 2017

verborragia intermitente

eu me sentei à mesa, diante de uma das mulheres mais bonitas que conheci. o encontro seguia em uma sequência de monólogos intercalados, porém nem um pouco monótonos. ambos alternávamos histórias sobre cada um de nós, eventualmente finalizando com um "eu estou com um pouco de sono, não me leve a mal se ficar meio quietinha" ou "falei demais sobre mim, né? não sou tão egóico, juro".
as intermitências ocorriam de uma forma leve e respeitosa, pouco semelhante com a experiência que ambos tiveram menos de 24 horas antes. e que experiência.
a escolha do local, o encontro já no dia seguinte, tudo ocorrera da forma menos arquitetada possível. e, talvez, essa espontaneidade me assustasse, fazendo-me olhar todo o transcorrer dos fatos com a maior desconfiança possível. apesar disso, não me senti pessimista ou sequer derrotista. por vezes erguia a cabeça e endireitava a coluna, sempre lembrando que mesmo em frente a uma mulher incrivelmente humilde, eu não poderia me curvar por desleixo ou abnegação. ela ainda não tinha a aura mística que toda mulher apaixonante tem e diante da qual eu me rebaixo instintivamente...
talvez isso seja um bom sinal. talvez eu esteja encarando esta mulher como ela é.
por inúmeras vezes consegui fazê-la de forma transparente e honesta. uma janela para a alma se abria e eu me sentia convidado a entrar. mas não posso fazê-lo senão pela porta principal. pouco a pouco verei estas janelas se abrirem e, quem sabe, teremos tempo para passar pela entrada a convite dela.
a ver

terça-feira, 15 de novembro de 2016

I ought to start walking on my own shoes

It's funny to have that on mind when I'm 27 and still living at my parents' house. I mean, if it wasn't this particular situation, the sentence that entitles this very post would make no sense, right? The point is that I think I finally achieved a state of mind – if it'll last I can't tell you in advance – that pushes me forward, puts me moving out of a condition of inertia inside my comfort zone.
I just got home from cinema. Some 20 minutes back I was almost finished watching Indignation, a movie based in a homonym Philip Roth's book (is this guy a best seller out there? I honestly have no idea).
At first, when I decided to watch it I thought it would portrait a youngster life surrounded by dilemmas in adult life. Woah, maybe I would have some identification with it, right? Precisely.
It was a pleasant experience, but the acting were poor, although the screenplay was good enough to get an A in a Creative Writing class. I just figured that out on the last scene.

But, back to my existencial elucubrations, I found it a pleasant experience once I had it minutes before leaving work in the middle of a national holiday. Perks of working with journalism.
I went there by myself, choose the movie alone and enjoyed a meal with no companion. And this is well tweet-fitting definition of my social life nowadays. I can't see any positive aspect on it, although I have been comfortable with that. And, again, it's no good to stay in the comfort zone. I need some ground shaking experience or, at least, an impulse to start acting differently in my life. I only realized that when I noticed I was driving a car that does not belon to me; at the moment I check the hours in a clock that doesn't covers only my wrists; and, finally, when I rushed out of the movie session with some comfy shows sized to some other feet but mine. So, yeah, I ought to star walking on my own shoes.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

dizem que os problemas daquela família se resumiam a testosterona, estrogênio e grana. tem um autor – não vou googlar o nome porque cansei de ser pedante – que já dizia, né, que tudo é sobre sexo exceto o próprio sexo, porque este se resume a poder.
a mãe e o pai há muito já não sabiam o que é sentir as bochechas queimarem na menor demonstração pública de afeto. um casal que dorme na mesma cama, mas mirando direções opostas não pode esperar que os filhos encontrem um norte sozinhos. e essa falta de expectativa corroía o interior dos herdeiros.
- bom dia.
- ... bom dia.
 e assim os dias começavam regados a café queimado, esquecido no fogão por alguns minutos a mais que o necessário. o filho desistira da doçura e passou a sorver o líquido como vinha do preparo. a esperança era tragar algo mais amargo do que já havia dentro de si. mas essa tarefa nunca seria completa.

- onde você pensa que vai? tá achando que é dono do seu próprio nariz?
- mais um motivo pra eu partir. não tenho nada e nada vai me prender aqui.

ora eram os hormônios que faltavam, ora o dinheiro. alguns ali pareciam, caprichosamente, combinar as duas precariedades e assim tentar fazer com que os outros convivas também ficassem. uma forma de impor a inércia em que vivia aos corpos que lhe cercam.

coragem nunca foi uma herança genética. pelo contrário. naquele lar, os familiares se uniam pela fragilidade, pelas vicissitudes que, muitas vezes, não desciam, mas pareciam se prender no meio da garganta e o asfixiado repetia como um mantra: tá tudo bem, não tem nada de errado.

e engolir aquilo era difícil. expelir, então, nem pensar. a solução econtrada era conviver com aquele objeto estranho encalacrado e fingir que era normal.


domingo, 3 de abril de 2016

Love will tear us apart

Excerpt from sometime in 2012

"There he stands in front of her.
Around them, enormous crowds.
Between them, an endless wall.
Two people divided by fear
of a frontier as high as clouds

They look towards each other
but see no difference at all.
Why does a barrier have to exist
and dissolve sameness
into a sea of mist?

With clear vision they could see
what the wall was supposed to be.
Steel, concrete and coldness would succumb
to become the mirror
that there should exist."

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

11.6.14
0h30

prolongo demais
não sei fazer HQ
nem mesmo haicais
Disse-me que me amaria com todas as letras,
todas as vinte e seis
Quero ver amor assim permanecer verdadeiro
se for amado em chinês

domingo, 17 de agosto de 2014

já não me lembro sobre o que queria escrever, mas sei que o simples fato de começar a escrever já me fará melhor ao cabo deste ato. era algo que minha irmã frequentemente fala, com muita razão, sobre quando um indivíduo se define a partir das opiniões que ouve e dos apontamentos que outros fazem. o indivíduo passa a se comportar então como uma esponja que tudo absorve e retém e se torna pesado demais, comportando algo que não deveria. muitas vezes me pego pensando nessa imagem e me imagino nessas circunstâncias, ou quando me deixo impressionar por diagnósticos médicos específicos (e. g. a recente descoberta do agravamento do meu desvio de septo nasal) e como relaciono isto com circunstâncias aleatórias (e. g. indisposição para pedalar – provavelmente causada por sedentarismo e a seca atual do centro-oeste) fazendo ambas coisas terem relação para, por fim, eu achar que estou doente ou vou ficar mal. esta paranoia e a "síndrome do impostor" – além dessa constante necessidade de achar que eu sofro de algum mal – certamente têm me tolhido energias e tempo que poderiam ser mais bem empregados nesta vida. esta mesma "vida que é um sopro" (O.N.)  – e que, sim, pode acabar a qualquer instante, mas que não devemos pensar na possibilidade do fim dela a todo instante. acho que me falta realmente me confortar com a noção da finitude da vida e enfim aproveitar um dia após o outro. "Seize the day".