(Barulho agudo do sino de parada do ônibus)
“Não meu, amor. Pra quê isso?!”
O corpo d’ela não estava firme, mas caminhava em direção à saída. Assim como seus pensamentos não estavam firmes. Ela, de impulso, queria descer e deixar seu rapaz lá naquele. Mas sabia que o que haviam conversado ainda não era o suficiente. Seus olhos trêmulos pediam o encontro com o chão metálico texturizado, outros olhos seriam uma afronta. A curiosidade alheia, então, atormentava. E na cabeça d’ele o que se passava? Duvidas. “Deveria a conversa ser estendida? Como poderei convencer-ela de que estou certo. Mas ela vai chorar...”
Como de supetão, logo atrás, sorrisos paradoxais habitavam o outro assento. O moço com um riso seguramente forjado tentava persuadir a moça e se impor sobre ela. “Vou conseguir o que quero. Seus lábios.” A moca já demonstrava certa timidez ao, compulsivamente, arrumar uma franja já arrumada. E rearrumava a um infinito incontável de vezes. O moço, mesmo que Quasimodo, demonstrava confiança no que queria e aquela seria a primeira vez e seria bem feita. O moço estava certo.
Eu não.
Ele então balbuciava para persuadir-ela. Ela vestia os óculos e procurava um horizonte como quem busca uma escora quando em um deslize. Agora era ela. Suas bochechas palpitavam violentamente em direção a ele, que não tinha mais o que fazer senão segurar o apoio do assento em busca de firmeza. Firmeza essa que não pertencia a ele naquele momento. Ela passou a intensificar a fala e não desviar o olhar, ainda que encoberto por lentes, do rosto d’ele. Ele ouvia. E seu olhar, repetitivo, procurava fixar-se, o que não aconteceria naquele lugar onde tudo gira em elipse.
O moço despediu-se com um beijo íntimo. Beijo de confiança, de doação mútua. A moça entre um beijo e outro, sorria, mas despedia-se do moço. O moço se levanta e...
(Barulho agudo do sino de parada do ônibus)
A moça, já sem seu moço, pôs-se a conversar com a amiga do assento ao lado. Percebera a moça que ele e ela estavam exaltados. E, como quem olha um incêndio no prédio ao lado, ficou curiosa. O espanto não demorou tornar-se jocosidade. Agora ombros se levantavam e baixavam num movimento rápido e repetido enquanto as mãos da moça tampavam o arco que se formava entre seu nariz e seu queixo. Uma risada dela no momento do espanto foi como um corte.
Ele desceria junto a mim. Ela, não sei. Chegada minha vez de descer ela me acompanha. Ele se manteve sentado até o último instante, como que aquela distância entre eles fosse amenizar a discussão. Abandonei toda essa confusão, e no meio do meu silêncio, olhei para trás de soslaio e: ele e ela na iminência de um abraço, quando outro ônibus amarelo corta meu campo de visão e passa cheio de outras historias, términos, inícios e reatamentos.
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Filmes recentes
Milk é bom. Duas horas de filme pela ótica de um grupo, que à época, era minoria. Desgostei um pouco da primeira hora de filme que explora muito a vida sexual e de Harvey Milk, destoando um pouco da proposta de ilustrar a trajetória política do primeiro político abertamente declarado gay do estado da Califórnia. Ao meu ver é essa a proposta do filme, que só é retomada na segunda hora de filme, o que dá um ritmo diferente e torna-o bem mais intenso. De modo geral me agrada o filme.
Blade Runner, recomendação do grande amigo Xá, é um filme que segue a estética de Metrópolis (1927), como eu e Xá concordamos. Tenho a sensação de tropeçar quando da última cena, mas Ridley Scott evidencia em detalhes fatores fundamentais para o entendimento da trama. O que me deixou agoniado é a personagem Roy. Afora ser ofegante e ter a postura física de um robô não vejo o que diferencia um replicante de um ser humano. Não sei se por falta de efeitos especiais ou algum capricho exagerado como se vê em muitos filmes de ficção científica. Surpreendeu minha irmã o fato de ter sido rodado em 1982. No fim das contas, gostei.
Blade Runner, recomendação do grande amigo Xá, é um filme que segue a estética de Metrópolis (1927), como eu e Xá concordamos. Tenho a sensação de tropeçar quando da última cena, mas Ridley Scott evidencia em detalhes fatores fundamentais para o entendimento da trama. O que me deixou agoniado é a personagem Roy. Afora ser ofegante e ter a postura física de um robô não vejo o que diferencia um replicante de um ser humano. Não sei se por falta de efeitos especiais ou algum capricho exagerado como se vê em muitos filmes de ficção científica. Surpreendeu minha irmã o fato de ter sido rodado em 1982. No fim das contas, gostei.
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Não resisti. melhor, não suportei ficar sem escrever um bocado de linhas. e, embora desconfortabilíssimo redigir qualquer coisa pessoal ou não os fortalezenses não evitam uma olhadela para a tela desse computador situado no meio de um corredor do Shopping Benfica. Ignoro.
Não aguento. A cada dia que passa mais eu descubro os podres dos seres humanos. Não aguento a acomodação que nos é característica. Acomodação a erros, a condições desfavorárveis e pusilanimidade que evidenciamos em diferentes situações e para diferentes pares. Estou me firmando muito na Palavra para ter meu sustentáculo diante desse mar de atuações e comportamentos forjados. Pode ser impressão minha, mas as evidências (não são provas) são muito fortes. As pessoas simplesmente descartam a ideia de se buscar a integridade. Não vejo entrega da maioria das pessoas a manterem suas palavras ou seu discurso moldado, por vezes em uma situação de mera formalidade, diplomacia. A mesma vontade que tenho de desistir de escrever tudo isso é a vontade que tenho de estender minha aflição para esse teclado.
"A humanidade é boa. O que não é bom são as pessoas" ou algo assim disse alguém muito sábio. A cada dia concordo mais com essa frase. Mas preciso ler a Palavra. Là está minha orientação e refrigério.
A paz.
Não aguento. A cada dia que passa mais eu descubro os podres dos seres humanos. Não aguento a acomodação que nos é característica. Acomodação a erros, a condições desfavorárveis e pusilanimidade que evidenciamos em diferentes situações e para diferentes pares. Estou me firmando muito na Palavra para ter meu sustentáculo diante desse mar de atuações e comportamentos forjados. Pode ser impressão minha, mas as evidências (não são provas) são muito fortes. As pessoas simplesmente descartam a ideia de se buscar a integridade. Não vejo entrega da maioria das pessoas a manterem suas palavras ou seu discurso moldado, por vezes em uma situação de mera formalidade, diplomacia. A mesma vontade que tenho de desistir de escrever tudo isso é a vontade que tenho de estender minha aflição para esse teclado.
"A humanidade é boa. O que não é bom são as pessoas" ou algo assim disse alguém muito sábio. A cada dia concordo mais com essa frase. Mas preciso ler a Palavra. Là está minha orientação e refrigério.
A paz.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
sexta-feira, 26 de junho de 2009
Acho que tenho guardado muito o que tem potencial para a escrita. não sei qual o objetivo dessa postagem, nem como vai terminar. só me tomei pela vontade de escrever, tendo em vista as frequentes leituras sobre redação jornalística em meios eletrônicos. mas sem a pretensão de um redator, um foca.
O assunto em voga é o falecimento de um ícone da música pop, de um astro que revolucionou coreografias, performance musicais e um estilo musical, afora a refiguração do personagem da estrela pop que conhece figuras políticas. Mudanças de grandes proporções na mídia, também. Como se vê, nova gripe, air france e eleições do irã não constam no alto de sites como o video.google.com e o twitter. Inclusive a morte de Farrah Fawcett, no mesmo dia, não teve muita repercussão.
Não menor que isso, deve-se lembrar também das polêmicas de bebê em janela, especulações inúmeras sobre o estado de saúde de jackson, acusações pedofilia, atropelamentos não indenizados, só pra constar os que me vieram a cabeça. Acredito que tomar nota de todos esses fatores é importante para a compreensão do peso desse falecimento. Ontem à tarde eu pouco me interessava pelo assunto, e não ponho em discussão a enxurrada informacional dos meios sobre o tema, mas levo em consideração a não muito grande frequência que tenho em ouvir as músicas de Michael Jackson. Depois de conversar com quem acompanhava melhor a carreira dele, tive um pouco de noção da importância mundial dessas contribuições de Michael Jackson ao mundo como um todo, mas também às vidas de muitos. Às suas personalidades e comportamentos.
Não sou fã, não gosto de esperneios, não gosto de nicks forçados in memoriam em msn, ou o que se encaixar nessa lustração sobre superfícies arranhadas. Mas acho que quem assim age tem suas razões. Nem mesmo gosto do endeusamento que se faz nesse tipo de situação, mas esse é meu ponto de vista.
O assunto em voga é o falecimento de um ícone da música pop, de um astro que revolucionou coreografias, performance musicais e um estilo musical, afora a refiguração do personagem da estrela pop que conhece figuras políticas. Mudanças de grandes proporções na mídia, também. Como se vê, nova gripe, air france e eleições do irã não constam no alto de sites como o video.google.com e o twitter. Inclusive a morte de Farrah Fawcett, no mesmo dia, não teve muita repercussão.
Não menor que isso, deve-se lembrar também das polêmicas de bebê em janela, especulações inúmeras sobre o estado de saúde de jackson, acusações pedofilia, atropelamentos não indenizados, só pra constar os que me vieram a cabeça. Acredito que tomar nota de todos esses fatores é importante para a compreensão do peso desse falecimento. Ontem à tarde eu pouco me interessava pelo assunto, e não ponho em discussão a enxurrada informacional dos meios sobre o tema, mas levo em consideração a não muito grande frequência que tenho em ouvir as músicas de Michael Jackson. Depois de conversar com quem acompanhava melhor a carreira dele, tive um pouco de noção da importância mundial dessas contribuições de Michael Jackson ao mundo como um todo, mas também às vidas de muitos. Às suas personalidades e comportamentos.
Não sou fã, não gosto de esperneios, não gosto de nicks forçados in memoriam em msn, ou o que se encaixar nessa lustração sobre superfícies arranhadas. Mas acho que quem assim age tem suas razões. Nem mesmo gosto do endeusamento que se faz nesse tipo de situação, mas esse é meu ponto de vista.
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Pandemia (?)
Influenza A, Crise Financeira na descendente, Ronaldo, Adriano, Miss DF etc etc etc. Os sites de notícias têm oferecido um leque de assuntos e, em alguns casos, opiniões a respeito dos diversos casos. Mas a notícia que me fez vir ao computador de supetão para redigir isso foi divulgada no Jornal da Band que está em andamento nesse instante. Por mais contrário que eu seja à edição regional(DF) do jornalismo desse canal, me dispus a assistir à nacional. E o que me chamou a atenção foram as notícias sobre a Nova Gripe: primeira confirmação de morte no Canadá, causada pela nova doença; jovem que viajou em 23 de abril para uma competição de tênis em Cancún retorna ao Brasil e, no mesmo dia, vai a uma boate. Dias depois vai à casa de amigos assistir a um jogo de futebol. Por fim, ele está isolado num andar do hostpital da Ilha do Fundão com a confirmação de estar infectado pela Gripe A; garota de 7 anos que voltou da Flórida há alguns dias teve diagnóstico da mesma doença confirmado pela Secretaria de Saúde de Santa Catarina, mas já teve alta. O caso aguarda confirmação do Ministério da Saúde para contabilizar, hoje, o quinto caso brasileiro de contaminação pela Nova Gripe.
Afora tantos casos de repercussão e discussão sobre a saúde nesses casos, eu me ative a outra temática: a do preconceito que está na ascendente. O preconceito que se está gerando em casos como o seguinte: uma professora suspeita de estar infectada pelo vírus está sendo alvo de um abaixo assinado que requer seu afastamento do colégio, por razões óbvias, mas que não justificam tal ataque à ética. Inclusive um dos pais que deixaram a assinatura é médico. A discussão tem de ser levada para esse campo ético também. São máscaras e recusas de apertos de mão que, ao lado da saúde são tentativas de evitar novas contaminações, mas que, ao exemplo extremo dessa professora, têm reafirmado o distanciamento. Talvez essa desagregação seja em muito contribuição para a facilidade do alastramento do pânico geral, do pandemônio gerado em situações em que não se consegue agarrar a algo ou a alguém por não se tê-los por perto. E é só na vulnerabilidade que conseguimos olhar para cima, porque aí percebemos que o pedestal que construímos para nos suportar numa altura não nos sustentava realmente. Já bem distante do que quero dizer, retomo a necessidade de humanizar a situação e não ser regido pelo medo, pelo temor e pela recusa em favor de uma segurança sugerida.
Por fim, a individualidade que nos protege em muitos momentos nos trai quando confirmamos o que não queremos reconhecer: somos pequenos e vulneráveis. Pensamos nos grandes feitos da Humanidade, no poder de cura da Medicina, na evolução tecnológica ou no alcance da ciência, mas poucas vezes lembramos que todos esses são realizações de seres humanos, frágeis, errôneos em muitas áreas e não exatos nem muito menos íntegros, como o sentido usual da palavra sugere. Às vezes agimos em prol da saciedade da vontade própria que, por vezes, pode ser danosa a uma multidão, ou, em outros casos, inocentemente oferecemos riscos aos que nos rodeiam. Ou, maus que conseguimos ser, somos intencionalmente arbitrários e pensamos em prol apenas do bem próprio ou daqueles que, em determinadas situações, são considerados próximos, já que em outras situações podem nos oferecer riscos.
Afora tantos casos de repercussão e discussão sobre a saúde nesses casos, eu me ative a outra temática: a do preconceito que está na ascendente. O preconceito que se está gerando em casos como o seguinte: uma professora suspeita de estar infectada pelo vírus está sendo alvo de um abaixo assinado que requer seu afastamento do colégio, por razões óbvias, mas que não justificam tal ataque à ética. Inclusive um dos pais que deixaram a assinatura é médico. A discussão tem de ser levada para esse campo ético também. São máscaras e recusas de apertos de mão que, ao lado da saúde são tentativas de evitar novas contaminações, mas que, ao exemplo extremo dessa professora, têm reafirmado o distanciamento. Talvez essa desagregação seja em muito contribuição para a facilidade do alastramento do pânico geral, do pandemônio gerado em situações em que não se consegue agarrar a algo ou a alguém por não se tê-los por perto. E é só na vulnerabilidade que conseguimos olhar para cima, porque aí percebemos que o pedestal que construímos para nos suportar numa altura não nos sustentava realmente. Já bem distante do que quero dizer, retomo a necessidade de humanizar a situação e não ser regido pelo medo, pelo temor e pela recusa em favor de uma segurança sugerida.
Por fim, a individualidade que nos protege em muitos momentos nos trai quando confirmamos o que não queremos reconhecer: somos pequenos e vulneráveis. Pensamos nos grandes feitos da Humanidade, no poder de cura da Medicina, na evolução tecnológica ou no alcance da ciência, mas poucas vezes lembramos que todos esses são realizações de seres humanos, frágeis, errôneos em muitas áreas e não exatos nem muito menos íntegros, como o sentido usual da palavra sugere. Às vezes agimos em prol da saciedade da vontade própria que, por vezes, pode ser danosa a uma multidão, ou, em outros casos, inocentemente oferecemos riscos aos que nos rodeiam. Ou, maus que conseguimos ser, somos intencionalmente arbitrários e pensamos em prol apenas do bem próprio ou daqueles que, em determinadas situações, são considerados próximos, já que em outras situações podem nos oferecer riscos.
sábado, 2 de maio de 2009
incompleto2
Um filho, que tem em seus pais a segurança e fortaleza incontestes, por vezes hesita em falar de vivências, sentimentos, emoções por tratá-los muitas vezes com racionalidade. Por vê-los humanos, e não os pais, figura acima de toda classificação racional, que merecem e têm de ser vistos debaixo em muitos momentos. Esse filho se vê em muitos momentos só ao pensar nas possibilidades de ocorrência de coisas ruins, quando esquece que cada um tem a possibilidade de fazê-las boas ou ruins.
Do outro lado, a inocência e insipiência de quem tem três quartos de ano de vida e olha constantemente debaixo para seus pais que não veem a hora de tê-la nos braços enquanto o vento bate em seus rostos. Eles esperam paciente e exemplarmente por esse momento e não há data festiva, feriado, dia santo que se diferenciem nas corriqueiras visitas e revezamentos: quando um espera, o outro faz as coisas que se pedem ser feitas.
Do outro lado, a inocência e insipiência de quem tem três quartos de ano de vida e olha constantemente debaixo para seus pais que não veem a hora de tê-la nos braços enquanto o vento bate em seus rostos. Eles esperam paciente e exemplarmente por esse momento e não há data festiva, feriado, dia santo que se diferenciem nas corriqueiras visitas e revezamentos: quando um espera, o outro faz as coisas que se pedem ser feitas.
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