é ultrajante sentir falta somente do que se afasta. e isso parece ser muito comum à natureza humana, por vezes egoísta. entendo a distância como a lei que regeu meus últimos dias. talvez meses. E quando mergulhei nas minhas preocupações, inseguranças e anseios me vi mais perto daqueles que queria longe. Mas desses eu não sentia falta, porque eram aqueles que eu julgava fracos e que não seria como eles. Sou composto por partes das (boas) pessoas que me cercam, e quando são os defeitos delas que me aparecem aos olhos, vejo que os encontro com muita facilidade em mim. Mas a culpa é minha.
Ao tentar me distrair com alguma campanha publicitária da Copa do Mundo do ano atual vejo que a atmosfera que essa peça pode passar me inebria tentando me convencer que os sorrisos podem brotar na minha cara e que meus problemas são menores quando juntos os homens estão. e felizes. por não saber bem quais eram e quais são meus objetivos muitas vezes me perdi nos caminhos que comecei até o presente momento. até mesmo quando escrevo o único objetivo é ver a linha correr solta sem que eu tenha necessidade de ver a palavra que ficou para trás. às vezes me pergunto se isso não é uma incapacidade minha, de lembrar de acontecimentos, conversas e atitudes com certa facilidade. confesso ser bem displiscente para alguns assuntos, mas ruim é quando uma dificuldade real é confundida como essa atitude "nem-aí". acho que isso não vai a lugar algum. esse texto não era pra ser um texto. nem um desabafo. nem sei para onde eu tô indo.
mas sinto falta. sinto falta de sentir prazer em fazer o que eu realmente gosto. de investir tempo, dinheiro, estudo e paixão no que eu realmente goso. de praticar o que quero e não deixar impedimentos que colocam em minha vida serem impedimentos para mim. não sei onde isso vai parar.
sexta-feira, 19 de março de 2010
quarta-feira, 3 de março de 2010
incompleto1
existem diversas maneiras de se começar um escrito. a metalinguística não é a minha preferida.
mas existe forma mais adequada de se avaliar que não escrevendo sobre si? é apenas criar uma personagem, enchê-las de pensamentos seus, dar-lhe uma vida frankesteiniana e fingir.
mas existe forma mais adequada de se avaliar que não escrevendo sobre si? é apenas criar uma personagem, enchê-las de pensamentos seus, dar-lhe uma vida frankesteiniana e fingir.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Iracema, Iracema. De José de Alencar. É a fundação do Ceará.
Era so o que minha cabeça conseguia processar durante o caminho até o pedaço de areia sobre a abóbada celeste na noite em que um ano toma o lugar do outro. Uma carona com um tio morador da cidade garantiu-nos a chegada ao menos perto de onde estariam mais 1 milhão de pessoas para assistir ao mesmo espetáculo que nós. Mas não da mesma forma, com a mesma percepção, mesma atenção ou objetivos. Eu nunca havia tido essa experiência assim como mãe, mas pai já esnobava. Éramos três sentados sobre a areia nada branca da praia em meio à multidão agoniada. E chegamos duas horas antes do marcado para o começo, para tanto nada melhor que um pouco d'água, um sorvete e uma longa conversa sobre percepção, comportamento, expectativas, relacionamento e História. O que se passava ali, bom ou não, compreensível ou prolixo, ocorria pela primeira vez em todos os aspectos. Era a primeira viagem ao Nordeste a que B não comparecia, era também a primeira vez que mãe se permitia conversar assuntos-tabu e era a primeira vez que eu fotografava as personagens cores em preto e branco, com a Praktica ISO 400 muita luz e muita esperança de dar certo. O resultado foi muita conversa boa, não tantas fotos quanto o esperado, acrofobia como já calculado, mas um sorriso no rosto por ver de perto aquilo que repudiava sem ter conhecimento. Seja por ignorância ou por ignorância. Foi um aprendizado de convívio com o dantes esquisito e um exercício de alteridade baseado no respeito e no convívio lado a lado, ainda que não houvesse concordância. Flores n'água, ritos (por vezes inconscientes), embriaguez (desnecessária), arruaça e tantos outros; fiz ressalvas por justamente discordar, mas tenho de aprender a tolerar, a respeitar. O que combato é o fato de se tornar algo mecânico, irracional e inconseqüente muitas vezes.
A trilla sonora era Explosions in te sky, por amiss óbvio, era isso que tocava em minha cabeça. E o roteiro literário era o velho livro sem nomes próprios. Eu me perguntava: imagina se depois de 16 min toda essa horda cegasse? Se depois de todo o espetáculo todos perdessem a visão? Já o são cegos por escolha, onde rumam à maré numa maré de gente que cumpre um ritual por vezes insincero para retornarem trôpegos aos seus lares e assim finalmente cerrarem os olhos. Já é uma cegueira por falta de esclarecimento, na maioria dos casos. Não em todo esse milhão de pessoas. Mas deve ser mais fácil apenas aceitar e cumprir do que entender antes de agir, certo? Agir conforme o que é tido por costume ao invés de se perguntar por quê. Fui lá para isso. Por que flores? Por que multidão? Por que agitação? Por que fogos? Por que revéillon?
Acho que no fim é tudo uma questão de ver beleza e de sentir prazer, por mais efêmero que seja. E no novo começo, tudo de novo no novo.
Era so o que minha cabeça conseguia processar durante o caminho até o pedaço de areia sobre a abóbada celeste na noite em que um ano toma o lugar do outro. Uma carona com um tio morador da cidade garantiu-nos a chegada ao menos perto de onde estariam mais 1 milhão de pessoas para assistir ao mesmo espetáculo que nós. Mas não da mesma forma, com a mesma percepção, mesma atenção ou objetivos. Eu nunca havia tido essa experiência assim como mãe, mas pai já esnobava. Éramos três sentados sobre a areia nada branca da praia em meio à multidão agoniada. E chegamos duas horas antes do marcado para o começo, para tanto nada melhor que um pouco d'água, um sorvete e uma longa conversa sobre percepção, comportamento, expectativas, relacionamento e História. O que se passava ali, bom ou não, compreensível ou prolixo, ocorria pela primeira vez em todos os aspectos. Era a primeira viagem ao Nordeste a que B não comparecia, era também a primeira vez que mãe se permitia conversar assuntos-tabu e era a primeira vez que eu fotografava as personagens cores em preto e branco, com a Praktica ISO 400 muita luz e muita esperança de dar certo. O resultado foi muita conversa boa, não tantas fotos quanto o esperado, acrofobia como já calculado, mas um sorriso no rosto por ver de perto aquilo que repudiava sem ter conhecimento. Seja por ignorância ou por ignorância. Foi um aprendizado de convívio com o dantes esquisito e um exercício de alteridade baseado no respeito e no convívio lado a lado, ainda que não houvesse concordância. Flores n'água, ritos (por vezes inconscientes), embriaguez (desnecessária), arruaça e tantos outros; fiz ressalvas por justamente discordar, mas tenho de aprender a tolerar, a respeitar. O que combato é o fato de se tornar algo mecânico, irracional e inconseqüente muitas vezes.
A trilla sonora era Explosions in te sky, por amiss óbvio, era isso que tocava em minha cabeça. E o roteiro literário era o velho livro sem nomes próprios. Eu me perguntava: imagina se depois de 16 min toda essa horda cegasse? Se depois de todo o espetáculo todos perdessem a visão? Já o são cegos por escolha, onde rumam à maré numa maré de gente que cumpre um ritual por vezes insincero para retornarem trôpegos aos seus lares e assim finalmente cerrarem os olhos. Já é uma cegueira por falta de esclarecimento, na maioria dos casos. Não em todo esse milhão de pessoas. Mas deve ser mais fácil apenas aceitar e cumprir do que entender antes de agir, certo? Agir conforme o que é tido por costume ao invés de se perguntar por quê. Fui lá para isso. Por que flores? Por que multidão? Por que agitação? Por que fogos? Por que revéillon?
Acho que no fim é tudo uma questão de ver beleza e de sentir prazer, por mais efêmero que seja. E no novo começo, tudo de novo no novo.
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
mais divagar
Kings of Convenience me deixa produtivo. Seja para me motivar a ler Ensaio Sobre a Cegueira de uma vez mas ainda assim sendo capaz de imaginar as cenas e as possibilidades ou para anotar os museus de meu roteiro vespertino dessa terça-feira. Já fiz light-paintings na varanda, já fiz retratos em Irauçuba, já fiz rafes de fotografias ligeiramente trabalhosas que pretendo fazer quando voltar para Brasília, já pensei em ler Heidegger, mas ele está sério demais para o sol que fez hoje. Nessa ilha de ar condicionado em que me encontro é quase impossível perceber o calor absurdamente convidativo que faz lá fora. Motivei meus pais a irmos à praia amanhã, mas ainda falta falarmos com uma das pessoas mais importantes dessa Fortaleza, minha tia Feliz. O coração maior do mundo que me recebeu em julho quando cá estive para o ENECOM. Ainda tenho os textos da Crítica Radical para ler e discutir com o Cuquinho, o grande Chiquinho. E aí Heidegger pode vir à calhar!
Mas hoje pensei bastante sobre como temos a seletividade de pessoas próximas a quem confidenciamos nossas idiossincrasias. Eu realmente me preocupo com essa questão ética e moral, embora os valores embutidos nos meus padrões possam não ser os mesmos para os que estão ao meu redor. O assunto de hoje com meu primo policial foi literatura e cinema e caímos em Fromm. Erich dizia que as amizades têm de ser poucas, embora profundas. Então o que me leva a pensar que realmente são poucos a quem devemos confidenciar nossos segredos pois "estes, sim, serão os senhores de vosso destino", como alguém disse e de quem não recordo o nome. Eu me pergunto: cometemos erros, mas temos a preocupação de crescer e evitá-los? Ou nossos erros serão medalha, peso para distinção de quem obteve mais experiências em vida? O que deve ser avaliado é quem errou, quem pecou mais ou quem conseguiu evoluir com o pouco de erros cometidos? Eu sou um pecador e sei que só existe uma pessoa que nessa Terra esteve que não poderia assumir o mesmo. Mas eu não busco cometer erros que afetem e/ou prejudiquem meus próximos. Se alguém tem de ser prejudicado com as minhas idiossincrasias, esse serei eu!
Estou longe de casa e acho que isso me faz repensar meu comportamento, minha percepção quando em terra conhecida e segura: o lar, ou o que eu considero como tal. Meu dia-a-dia aparentava ser mecânic, já que inúmeras vezes esqueci de carimbar os livros de Design renovados pela internet, quando na noite anterior eu me preparava psicologicamente para fazê-lo. Mas era pegar o 168 rumo à Academia que eu só pensava em seguir em frente e depois retornar. Mas às vezes eu era circular tal qual os 106.2 fazendo o mesmo trajeto mesmo que inconscientemente sabendo que tinha algo mais importante por fazer.
Acho que o que não devo fazer é fica aqui sentado divagando, mas talvez isso seja só um subterfúgio para a ausência que sinto de todos los hermanos que tengo, mas no los puedo contar. E se algum deles ler isso, tiver paciência para tentar concatenar de alguma forma essa miscelânea de pensamentos que tentei traduzir, vai ter valido de algo a posição desconfortável a que impus minha coluna. Nem que seja para me dizer "Enfim!", né, Kássia?
É isso, fiquem com Deus!
Mas hoje pensei bastante sobre como temos a seletividade de pessoas próximas a quem confidenciamos nossas idiossincrasias. Eu realmente me preocupo com essa questão ética e moral, embora os valores embutidos nos meus padrões possam não ser os mesmos para os que estão ao meu redor. O assunto de hoje com meu primo policial foi literatura e cinema e caímos em Fromm. Erich dizia que as amizades têm de ser poucas, embora profundas. Então o que me leva a pensar que realmente são poucos a quem devemos confidenciar nossos segredos pois "estes, sim, serão os senhores de vosso destino", como alguém disse e de quem não recordo o nome. Eu me pergunto: cometemos erros, mas temos a preocupação de crescer e evitá-los? Ou nossos erros serão medalha, peso para distinção de quem obteve mais experiências em vida? O que deve ser avaliado é quem errou, quem pecou mais ou quem conseguiu evoluir com o pouco de erros cometidos? Eu sou um pecador e sei que só existe uma pessoa que nessa Terra esteve que não poderia assumir o mesmo. Mas eu não busco cometer erros que afetem e/ou prejudiquem meus próximos. Se alguém tem de ser prejudicado com as minhas idiossincrasias, esse serei eu!
Estou longe de casa e acho que isso me faz repensar meu comportamento, minha percepção quando em terra conhecida e segura: o lar, ou o que eu considero como tal. Meu dia-a-dia aparentava ser mecânic, já que inúmeras vezes esqueci de carimbar os livros de Design renovados pela internet, quando na noite anterior eu me preparava psicologicamente para fazê-lo. Mas era pegar o 168 rumo à Academia que eu só pensava em seguir em frente e depois retornar. Mas às vezes eu era circular tal qual os 106.2 fazendo o mesmo trajeto mesmo que inconscientemente sabendo que tinha algo mais importante por fazer.
Acho que o que não devo fazer é fica aqui sentado divagando, mas talvez isso seja só um subterfúgio para a ausência que sinto de todos los hermanos que tengo, mas no los puedo contar. E se algum deles ler isso, tiver paciência para tentar concatenar de alguma forma essa miscelânea de pensamentos que tentei traduzir, vai ter valido de algo a posição desconfortável a que impus minha coluna. Nem que seja para me dizer "Enfim!", né, Kássia?
É isso, fiquem com Deus!
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
dv
O que começou com desconforto foi se acomodando como porta de entrada. Exatamente pela falta física desses recursos, a metáfora tem muito mais valor. A princípio eu não conseguia apreender os nomes das personagens por faltar algum elemento cênico que eu pudesse associar às personagens. Mas logo isso foi caindo pelo peso do roteiro e dos diálogos que, por meio de reviravoltas e intensificações tornavam adaptável a maneira de se contar a história e ambientá-la em “lugar algum”. O que vi em Dogville foi uma tremenda preparação de cada ator ao ponto de conseguir excluir de seus sentidos a necessidade construída de se ter paredes para isolar um acontecimento ou a vida particular. E fica fortemente evidente quando através de uma lente nada empolgada ou cheia de arrojos, um estupro ocorre dentro de uma casa. E lá deve permanecer mesmo que as paredes não impeçam os outros atores de vê-las. E é forçando os atores a se acostumarem com a quebra de uma das três paredes que Lars von Trier enriquece o filme.
Outra característica que força, agora em relação ao espectador, é a ausência de trilha sonora. Esse recurso audiovisual é extremamente importante por guiar quase que inconscientemente uma platéia e despertar nesta sensações premeditadas. E as sensações despertas em Dogville dependem muito do desenrolar da trama, da força dramática e de outros recursos em que se deposita mais valor para alcançar o âmago do espectador.
Amanhã vejo Manderlay! Me falta ainda Cidade das Mulheres, Manderlay. Desisti de Yellow Submarine, já vi Dogville, não gostei de Um Beijo Roubado. E gostei à beça de Apenas uma Vez.
Outra característica que força, agora em relação ao espectador, é a ausência de trilha sonora. Esse recurso audiovisual é extremamente importante por guiar quase que inconscientemente uma platéia e despertar nesta sensações premeditadas. E as sensações despertas em Dogville dependem muito do desenrolar da trama, da força dramática e de outros recursos em que se deposita mais valor para alcançar o âmago do espectador.
Amanhã vejo Manderlay! Me falta ainda Cidade das Mulheres, Manderlay. Desisti de Yellow Submarine, já vi Dogville, não gostei de Um Beijo Roubado. E gostei à beça de Apenas uma Vez.
domingo, 20 de dezembro de 2009
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